domingo, março 20, 2011
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Simão, o Senhor das Terras
Personagens:
• Simão
• Eu
Cenário:
Para falar verdade, entrei no FarmVille por causa dos meus sobrinhos. Custava-me vê-los ali, esfalfarem-se por uma propriedade fictícia e eu, de braços cruzados, sem lhes dar uma mãozinha. Sendo eles a minha descendência – uma vez que não tenho filhos – senti-me responsável por lhes deixar uma herança: terra, tecto, meios de subsistência, mesmo que num mundo virtual. Criei uma quinta minha, para lhes poder enviar árvores, animais, presentes. Depois, vendo-me facilmente ultrapassar-lhes o nível, senti-me culpada e providenciei a posse das suas passwords para os poder ajudar ainda mais. Ou melhor, da sua password – a do Simão – porque o Martim, na sua independente adolescência, ma negou. Assim, todos os dias, alimento os seus animais, colho as suas frutas, lavro as suas terras. Todos os dias deixo a “herdade” do Simão um brinco. Mas o meu empenho foi proporcional ao seu desleixo. Arranjada a “caseira”, sua excelência dedicou-se ao ócio e apenas lá vai de vez em quando para “controlar” as actividades. Sentindo-me injustiçada, confrontei-o com o facto. Ele, com a soberba de um grande latifundiário, respondeu:
Acção:
– Nunca lá vou porque não tenho tempo. Sou um homem muito ocupado.
• Eu
Cenário:
Para falar verdade, entrei no FarmVille por causa dos meus sobrinhos. Custava-me vê-los ali, esfalfarem-se por uma propriedade fictícia e eu, de braços cruzados, sem lhes dar uma mãozinha. Sendo eles a minha descendência – uma vez que não tenho filhos – senti-me responsável por lhes deixar uma herança: terra, tecto, meios de subsistência, mesmo que num mundo virtual. Criei uma quinta minha, para lhes poder enviar árvores, animais, presentes. Depois, vendo-me facilmente ultrapassar-lhes o nível, senti-me culpada e providenciei a posse das suas passwords para os poder ajudar ainda mais. Ou melhor, da sua password – a do Simão – porque o Martim, na sua independente adolescência, ma negou. Assim, todos os dias, alimento os seus animais, colho as suas frutas, lavro as suas terras. Todos os dias deixo a “herdade” do Simão um brinco. Mas o meu empenho foi proporcional ao seu desleixo. Arranjada a “caseira”, sua excelência dedicou-se ao ócio e apenas lá vai de vez em quando para “controlar” as actividades. Sentindo-me injustiçada, confrontei-o com o facto. Ele, com a soberba de um grande latifundiário, respondeu:
Acção:
– Nunca lá vou porque não tenho tempo. Sou um homem muito ocupado.
Só lhe faltou estar refastelado numa poltrona, com o cachimbo ao canto da boca. Aos pés, até já tinha o labrador.
Etiquetas: simão
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Simão e os argumentos de peso
Personagens:
• Simão, 10 anos
• Eu
Cenário:
Depois do jantar, ainda à mesa, eu e o Simão conversamos.
Já não me lembro a propósito de quê, a certa altura, ele pergunta-me:
Acção:
− Mas afinal que idade é que tu tens? Trinta e cinco, não é?
− Não, − respondo resignada. − Quarenta e três.
− Ah, − exclama ele, parecendo chocado com a resposta − mas não pareces nada!
Esqueci-me de dizer que ele queria muito, mas mesmo muito, que eu o levasse ao cinema nessa noite.
• Simão, 10 anos
• Eu
Cenário:
Depois do jantar, ainda à mesa, eu e o Simão conversamos.
Já não me lembro a propósito de quê, a certa altura, ele pergunta-me:
Acção:
− Mas afinal que idade é que tu tens? Trinta e cinco, não é?
− Não, − respondo resignada. − Quarenta e três.
− Ah, − exclama ele, parecendo chocado com a resposta − mas não pareces nada!
Esqueci-me de dizer que ele queria muito, mas mesmo muito, que eu o levasse ao cinema nessa noite.
Etiquetas: simão
terça-feira, setembro 14, 2010
Simão, o Pragmático
Personagens:
• Simão, 9 anos
• Mãe do Simão
• Eu
Cenário:
No clube de Golf o Simão queixa-se que os seus tacos já são muito pequenos. A mãe admite que precisa de lhe comprar um novo set. Eu comento que, para aquelas idades, deviam ser extensíveis para se irem adaptando à medida que os miúdos crescem. O Simão elucida-me, pragmático:
Acção:
− Não percebes… o golf não é para se jogar. O golf é para gastar dinheiro!
• Simão, 9 anos
• Mãe do Simão
• Eu
Cenário:
No clube de Golf o Simão queixa-se que os seus tacos já são muito pequenos. A mãe admite que precisa de lhe comprar um novo set. Eu comento que, para aquelas idades, deviam ser extensíveis para se irem adaptando à medida que os miúdos crescem. O Simão elucida-me, pragmático:
Acção:
− Não percebes… o golf não é para se jogar. O golf é para gastar dinheiro!
Etiquetas: simão
quinta-feira, junho 17, 2010
Simão, o Aprendiz de Intelectual (parte II)
Personagens:
• Simão, 9 anos
• Uma data de miúdos e pais nervosos
• Eu (como narrador)
Cenário:
O Simão vai fazer exame para entrar para o Conservatório de Música. Na sala, uma data de miúdos esperam, nervosos. O “meu”, que raramente fica nesse estado, bufa e suspira, ansioso, e, confessa, até, que nunca dormiu tão mal na vida. Sabem que ali não é a brincar: têm consciência que não há os facilitismos da escola, que não existem boas notas porque os paizinhos vão reclamar, que não passa quem não merece. Vêem-se meninos a saírem com negativas, mães desanimadas, avaliadores impiedosos, indiferentes à fragilidade dos petizes.
As crianças esforçam-se: sentados no chão, revêem as peças que vão tocar. Em frente ao Simão, a menina russa − aquela que tocou Bach, quando ele tocou o “Balão do João”, no início do ano, lembram-se? − ensaia num teclado imaginário desenhado no soalho da sala. O Simão também. Exercita os dedos e mostra uma destreza ameaçadora, de fazer inveja a qualquer um dos presentes. Só que, para mal dos seus pecados, a jogar um jogo num Game Boy.
Post Scriptum: E, passou!
[Também aqui, que o tempo não chega para escrever mais]
• Simão, 9 anos
• Uma data de miúdos e pais nervosos
• Eu (como narrador)
Cenário:
O Simão vai fazer exame para entrar para o Conservatório de Música. Na sala, uma data de miúdos esperam, nervosos. O “meu”, que raramente fica nesse estado, bufa e suspira, ansioso, e, confessa, até, que nunca dormiu tão mal na vida. Sabem que ali não é a brincar: têm consciência que não há os facilitismos da escola, que não existem boas notas porque os paizinhos vão reclamar, que não passa quem não merece. Vêem-se meninos a saírem com negativas, mães desanimadas, avaliadores impiedosos, indiferentes à fragilidade dos petizes.
As crianças esforçam-se: sentados no chão, revêem as peças que vão tocar. Em frente ao Simão, a menina russa − aquela que tocou Bach, quando ele tocou o “Balão do João”, no início do ano, lembram-se? − ensaia num teclado imaginário desenhado no soalho da sala. O Simão também. Exercita os dedos e mostra uma destreza ameaçadora, de fazer inveja a qualquer um dos presentes. Só que, para mal dos seus pecados, a jogar um jogo num Game Boy.
Post Scriptum: E, passou!
[Também aqui, que o tempo não chega para escrever mais]
Etiquetas: simão
segunda-feira, maio 10, 2010
Simão e as Desculpas Esfarrapadas
Personagens:
• Simão, 9 anos
• Eu
Cenário:
Estou na sala com o Simão. Do outro lado do vidro, no jardim, o cão da casa suplica por atenção, dando saltos descoordenados e lançando-nos olhares irresistíveis de ternura.
Eu reclamo:
Acção:
– Coitado do Pipe! Vocês não lhe ligam nada. Não devias estar aqui a ver televisão: devias estar lá fora a brincar com ele!
O Simão argumenta, com a desculpa mais esfarrapada que alguma vez lhe ouvi:
– Eu? Eu não, o meu irmão! Eu nunca quis um labrador chanfrado. Eu queria era um Bulldog francês.
• Simão, 9 anos
• Eu
Cenário:
Estou na sala com o Simão. Do outro lado do vidro, no jardim, o cão da casa suplica por atenção, dando saltos descoordenados e lançando-nos olhares irresistíveis de ternura.
Eu reclamo:
Acção:
– Coitado do Pipe! Vocês não lhe ligam nada. Não devias estar aqui a ver televisão: devias estar lá fora a brincar com ele!
O Simão argumenta, com a desculpa mais esfarrapada que alguma vez lhe ouvi:
– Eu? Eu não, o meu irmão! Eu nunca quis um labrador chanfrado. Eu queria era um Bulldog francês.
Foto retirada daquiEtiquetas: simão
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
Simão, o Perspicaz

Personagens:
• Simão, 9 anos
• Eu
Cenário:
Passamos em frente de uma joalharia. Eu paro para namorar, na montra, os meus relógios predilectos: os Cartier. O Simão, ao meu lado, espreita-os, e, sarcástico, desdenha, continuando a andar:
Acção:
– Tão chiques, tão chiques, e tão ignorantes. O quatro em numeração romana não é assim que se escreve.
• Simão, 9 anos
• Eu
Cenário:
Passamos em frente de uma joalharia. Eu paro para namorar, na montra, os meus relógios predilectos: os Cartier. O Simão, ao meu lado, espreita-os, e, sarcástico, desdenha, continuando a andar:
Acção:
– Tão chiques, tão chiques, e tão ignorantes. O quatro em numeração romana não é assim que se escreve.
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sexta-feira, janeiro 22, 2010
Simão e o Sarcófago Furado
Personagens:
• Martim, 12 anos
• Simão, 9 anos
• Eu
• Alguns adultos
• Uma data de pré-adolescentes
Cenário:
O meu sobrinho Martim fez anos. À hora do jantar, como não podia deixar de ser, fui dar-lhe os parabéns.
Toco à campainha e vêm-me abrir a porta ele e o Simão. Depois dos beijinhos, informo que o presente só chega mais tarde, pelas mãos do tio S..
Subimos ao primeiro andar, à sala, e ainda nas escadas, o Simão deixa-se ficar para trás e pede-me que lhe desvende, ao ouvido, a surpresa. Eu recuso-me. Ele suplica, implora, faz-me juras de confidencialidade, de secretismo. Diz-me que a sua boca é um túmulo, e eu – vencida pelo cansaço – cedo.
Já durante o jantar, na excitação da conversa de uma data de pré-adolescentes, o Simão deixa escapar que o irmão vai ter da minha parte um jogo para a Wii. Eu reclamo, indignada:
Acção:
– Olha lá, então a tua boca não era um túmulo?
Ele, atrapalhado, aponta para o espaço deixado pelos seus dentes de leite e ironiza, sem se deixar intimidar, safando-se assim:
– Ups, deixei fugir a múmia por aqui!
[O que vale é que eu já o conheço e não lhe disse a verdade.]
• Martim, 12 anos
• Simão, 9 anos
• Eu
• Alguns adultos
• Uma data de pré-adolescentes
Cenário:
O meu sobrinho Martim fez anos. À hora do jantar, como não podia deixar de ser, fui dar-lhe os parabéns.
Toco à campainha e vêm-me abrir a porta ele e o Simão. Depois dos beijinhos, informo que o presente só chega mais tarde, pelas mãos do tio S..
Subimos ao primeiro andar, à sala, e ainda nas escadas, o Simão deixa-se ficar para trás e pede-me que lhe desvende, ao ouvido, a surpresa. Eu recuso-me. Ele suplica, implora, faz-me juras de confidencialidade, de secretismo. Diz-me que a sua boca é um túmulo, e eu – vencida pelo cansaço – cedo.
Já durante o jantar, na excitação da conversa de uma data de pré-adolescentes, o Simão deixa escapar que o irmão vai ter da minha parte um jogo para a Wii. Eu reclamo, indignada:
Acção:
– Olha lá, então a tua boca não era um túmulo?
Ele, atrapalhado, aponta para o espaço deixado pelos seus dentes de leite e ironiza, sem se deixar intimidar, safando-se assim:
– Ups, deixei fugir a múmia por aqui!
[O que vale é que eu já o conheço e não lhe disse a verdade.]
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terça-feira, fevereiro 10, 2009
Francisco, o craque em História
Personagens:
• Francisco, 11 anos (6º Ano do Ensino Preparatório)
• Eu
Cenário:
A escola do meu sobrinho Francisco é uma dessas que figuram nos primeiros lugares do ranking nacional.
Fazendo jus à fama, estamos satisfeitíssimos com os conhecimentos que ele lá adquire.
A prova foi-me dada há bem pouco tempo, quando, incumbida de o ajudar a estudar para um teste de História, lhe perguntei que matéria estavam a dar, e, ele, convicto, me respondeu sem hesitar:
Acção:
– As revoluções Pombalbinas.
Viram? Lá está, revoluções destas não se ensinam no ensino público!
• Francisco, 11 anos (6º Ano do Ensino Preparatório)
• Eu
Cenário:
A escola do meu sobrinho Francisco é uma dessas que figuram nos primeiros lugares do ranking nacional.
Fazendo jus à fama, estamos satisfeitíssimos com os conhecimentos que ele lá adquire.
A prova foi-me dada há bem pouco tempo, quando, incumbida de o ajudar a estudar para um teste de História, lhe perguntei que matéria estavam a dar, e, ele, convicto, me respondeu sem hesitar:
Acção:
– As revoluções Pombalbinas.
Viram? Lá está, revoluções destas não se ensinam no ensino público!
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quarta-feira, abril 12, 2006
Dúvida
O meu sobrinho Simão, de cinco anos, a cada segunda palavra, menciona, enjoativamente, o termo sexo ou fazer sexo, acompanhado de sorriso malicioso e de uma excitação exacerbada, infantil. O mais assustador é que constatei que os meus amigos quarentões também. E exactamente com a mesma expressão e entusiasmo idiotas. Pergunto-me se estarão, então, de alguma forma, em fases de vida semelhantes…
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