Sábado, Julho 11, 2009

"He"


Bryan Ferry - "She" [Opening the Cannes Film festival 2009]

He
May be the face I can't forget
The trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay
He
May be the song that summer sings
May be the chill that autumn brings
May be a hundred different things
Within the measure of a day

He
May be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a heaven or a hell
He may be the mirror of my dreams
The smile reflected in a stream
He may not be what he may seem
Inside his shell

He
Who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry
He
May be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past
That I'll remember till the day I die

He
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough in ready years
Me
I'll take his laughter and his tears
And make them all my souvenirs
For where he goes I've got to be
The meaning of my life is

He
He, oh he

Adaptado de "She" de Elvis Costello

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Quero um destes!

Na foto: Miranda Kerr para Seafolly

Seafolly Matt Separates Mini Hipster Bikini Pant with Belt in French Blue.
Lovely hipster bikini pant with belt and toggle trim which matches perfectly with the Matt Separates French Blue Halter Bra to create an Ursula Andres style 'Bond' bikini.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

XXvsXY (2)

Ensaio sobre a sorte

Saio para comprar pão na mercearia da esquina. Depois, atravesso a rua para o jardim do Passeio Alegre e entro no Chalé Suíço para jogar no Totoloto e no Euromilhões. Acredito veementemente que um destes dias, um deles me saíra. Porém, quando vou para preenchê-los, ocorre-me sempre a dúvida, perante tantas possibilidades de conjugações.
Regresso a casa pela marginal. Debruço-me, e espreito as grandes pedras que separam o rio do muro. Lá em baixo, correm, felizes, ratos, ao entardecer. Ratos cinzentos, feios, de grandes caudas e portadores de doenças. Imagino serem uma família. As crias brincam. Saltitam de pedra em pedra, divertidas, para logo se esgueirarem por entre elas num jogo de esconde-esconde, infantil. Uma ratazana gorda, de pêlo opaco e gasto, vagueia por ali. Adivinho-a a mãe. Tiro do saco um pão e faço-lho chegar em pequenos pedacinhos. Os filhos assustam-se e fogem; ela, experiente, sem medo, fareja na sua direcção. Os infantes imitam-na. Repito o gesto vezes sem conta, e fico ali, entretida, a observá-los até me fartar de os ver regozijarem-se com o maná que lhes envio do céu.
Continuo caminho. Penso nos roedores. Era inimaginável aqueles seres nojentos terem alguém que lhes desse de comer. “Saiu-lhes a sorte grande”, deixo escapar em voz baixa. E sorrio optimista. Afinal, pode ser que Deus, ou lá que entidade é que dá sorte ao jogo, se queira divertir comigo também.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Eu hoje vou deitar-me assim...

© Foto: ? / Na foto: Stephanie Seymour

Sem Adão. Apenas com a serpente.

Simão, o Homem dos Sete Instrumentos

Personagens:
• Simão, 7 anos
• Eu
• Um grupo de amigos e os seus filhos

Cenário:
Verão, férias, calor, e um grupo de amigos reúne-se, depois do jantar, no bar do hotel, ao pé da piscina, para tomar café e conversar. Os seus filhos brincam por ali. O Simão é um deles.
De tronco nu, vejo-o brincar com duas palhinhas de plástico.
A certa altura dirige-se à nossa mesa e diz:

Acção:
– Vejam só o que eu inventei!
Debaixo de cada um dos braços – dobrados como se imitasse as asas de uma galinha – trás, enfiadas nas axilas, uma das extremidades das palhinhas. Nas outras, que segura com as mãos e que com agilidade faz chegar até à boca, sopra, alternadamente, à medida que mexe ligeiramente para cima e para baixo os braços, como se ensaiasse o bater dos membros das ditas aves. Emite um som estranho, oco, gasoso, ritmado pelo movimento dos braços que nos faz desatar a rir. Ufano com o feito, ele explica:
– Chama-se Saxo-sovaco!

Quinta-feira, Julho 02, 2009

A Menina com Gatos na Cabeça (12)



Everybody Wants to be a Cat - Aristocats

Ando há que tempos para postar isto.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Quem me leva os meus fantasmas?



Pedro Abrunhosa - Quem Me Leva Os Meus Fantasmas

"De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?"

Terça-feira, Junho 30, 2009

O sepulcro do nosso amor



Pronto, podes apagar-me da tua vida. Estou preparada. Custou-me [tanto!], mas consegui. [Tive de conseguir]. Imprimi todas a nossas “cartas”, todos os nossos “bilhetes-postais”, todas as nossas mensagens. Ordenei-os por datas e uni-os com fitas de seda para que nunca se separem, como gostava de nos ter unido a nós. Juntei-os com os bilhetes das viagens, com as facturas dos restaurantes, com os sabonetes dos hotéis… e guardei-os numa caixa. Encerrei a nossa vida numa caixa de madeira. Um caixão da nossa história. Aquela que nunca ninguém saberá. Aquela que sonhei um dia contar a um filho. Um filho que nunca tive. Que nunca terei. Aquela que morrerá comigo no dia em que me extinguir.
Não tenho jeito para ódios [mesmo que tente]. Não tenho feitio para vinganças [mesmo que faça de conta]. Não tenho forças, simplesmente. Podia dizer-te que sei que [também] sofres, que percebo a tua incapacidade para superares esse estado, que conheço as tuas dores… mas não consigo mais suportar as que elas me trazem. Não consigo mais viver nesta montanha-russa de sentimentos, nesta bipolaridade emocional, de euforias e de silêncios, de amor exacerbado e de indiferença, de abraços e empurrões. Não sei como ajudar quem não admite ajuda. Sei apenas como me proteger a mim. E partir. [Perdoa-me, Meu Amor].

Domingo, Junho 28, 2009

A vingança...




serve-se fria. Ou quente. Muito quente! [A escaldar que é para aprenderes!]

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Hoje, sim, é que é dia de neura...

© Foto: Steven Meisel / Na foto: Maryna Linchuk

É o último dia de entrega de IRS com a menor multa.

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Mas quem é que disse que os testes do Facebook não são científicos?

Este deu-me 25 anitos! Têm ser, pá!

Hoje faço anos. E já que não posso evitar que eles passem...

© Foto: ? / Na foto: Alessandra Ambrosio

comemoro-os à grande!

Terça-feira, Junho 23, 2009

De mal a pior!

Parece que andei enganada 39 anos (e mais qualquer coisinha que me nego a dizer). Afinal, não nasci no dia em que decapitaram o S. João Baptista, mas, sim, no dia em que ele nasceu (esta ainda vou ter de ir verificar a um sítio mais fiável do que a Wikipédia).
Ainda assim -
e parece que a interrogação da minha prima era em relação ao dia anterior - nasci na véspera do "Antinatal" - evento religioso dos seguidores dos satanistas e dia de São Guilherme. É o que eu digo, isto vai de mal a pior!

Grandes Dúvidas

A minha prima S., interroga-se no Facebook, se será significativo ter nascido no dia de S. Vicente de Paulo, véspera do Dia da Liberdade de Expressão.
Pois eu nasci no dia em que cortaram a cabeça ao S. João Baptista. Será significativo?

Amanhã é dia 24...

© Foto: Ellen von Unwerth / Na foto: Kylie Minogue

e faço anos. Quero presentes! Sou uma "material girl"!

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Há dias assim…

© Foto: ? / Na foto: Heidi Klum

Em que o amor, de tão magoado, passa a ódio.

Domingo, Junho 21, 2009

Solstício de Verão II

Seis da manhã. Há um vento quente, estranho, lá fora. Um sopro violento, tempestuoso, determinado, agita a natureza. É o Verão a varrer definitivamente a Primavera.

Solstício de Verão

© Foto: ? / Na foto: Natalie Portman

Três da manhã. A música entra-me pela janela, assim como o calor. Os meus vizinhos divertem-se numa festa cujas as letras das canções sei de cor. In the summer time, I will survive, Dancing Queen… . Levanto-me da cadeira. Descalço-me. E, sozinha, danço como uma louca pela casa fora.

A Puberdade

Mais um serão a tomar conta dos meus sobrinhos – em que o mais velho, de onze anos, quase mata o mais novo, de oito, com lutas e brincadeiras violentas – e chego a casa exausta, a pensar, que raio de hormona esta, a testosterona, que faz um miúdo amoroso, meigo e bem comportado, transformar-se num verdadeiro animal!

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Dores

Tenho um braço queimado e uma conjuntivite tramada, mas, hoje, o que me dói mesmo é o coração.

Foto: ?

Quarta-feira, Junho 17, 2009

Depois de uma vista de olhos por lá, dei por mim a pensar nisto:

O Twitter está para a cusquice da política nacional, assim como as revistas cor-de-rosa estão para as vidas das nossas "socialites". Só que ainda melhor: com muito mais pormenores!

Ele há azares!*

(…)
– Ah, sabes, o meu cisne matou o meu pavão!
– Tens um pavão???
– Sim, tinha. O cisne matou-o por causa da companheira. Estava choca e o pavão andava a namorá-la.
– Espera lá, o teu pavão perdeu a vida porque se apaixonou por uma cisna choca?!

*ou Conversas Surreais

Terça-feira, Junho 16, 2009

This one is for My Love


Rod Stewart & Amy Belle - I Dont Want To Talk About It

Não dou! Não dou! E não dou!

É sempre a mesma coisa, quando entro numa dessas grandes ópticas para comprar lentes de contacto e chega a hora de registarem a compra, pedem-me o nome da “fichinha”. Não há fichinha. Como não há, não é nossa cliente? Olham-me e reconhecem-me como habitué. Sou, mas não deixo os meus dados. Comprar lentes é, para mim, como comprar camisolas ou calças. Ou champôs. Ou cremes da cara. Não preencho fichas em lojas de roupa, nem em nenhuma outra onde não veja qualquer justificação plausível e do interesse do consumidor para isso. Ah, mas tem de ser! O sistema obriga a inserirmos os dados., insistem, consecutivamente. Quero lá saber do sistema! Inventem o que quiserem, os meus dados é que não põem aí!, repito vezes sem conta. E depois explico, educadamente, que não é nada contra elas, funcionárias, mas que sei como as coisas funcionam, que sou da área de marketing e que os elementos que elas inocentemente ali introduzem concentram informações valiosas sobre o perfil dos consumidores: quem são, que idades têm, onde vivem, o que compram… Elas miram-me, cépticas, e vejo-me obrigada a baixar o nível para entenderem. Dou exemplos. Explico que uma vez criei um nome fictício e que ainda hoje me chegam a casa cartas de empresas que nada têm a ver com aquela a quem dei os dados, porque esta os vendeu. Dizem-me que ali, basta “pôr uma cruzinha” que os dados não são passados a mais ninguém. Informo-as de que essa cruzinha vale zero. Elas olham-me ainda mais incrédulas, a pensarem que quem não percebe nada do assunto sou eu. Pacientemente, continuo com os exemplos. Que recebo mensagens de publicidade de um Health Club que nunca na vida frequentei, só porque uma vez, numa visita para ver se me interessava, cometi o erro – e que grande erro para quem percebe da poda! – de preencher uma dessas fichas. E pus a tal cruzinha!, acrescento, antes que argumentem. E explico-lhe que é um daqueles números cujo remetente é impossível de contactar e que mas enviam constantemente a qualquer hora do dia. Falo-lhes dos Cartões Continente e Jumbo e mais não sei do quê, e dos seus “fantásticos” descontos. Lembram-se que no início havia descontos em quase tudo? E agora, hein? Elas começam a ceder e a anuir com a cabeça, que sim, que queriam era apanhar-nos e que agora nada de descontos. E na IKEA, porque nos perguntam o código postal? Para saberem onde os consumidores vivem, para abrirem novas lojas onde se justifique, por exemplo. E sem pagarem nada a estes pelos dados que fornecem para esses estudos! E elas a seguiram-me, graças a Deus, que a minha paciência começava a esgotar-se. E já de nota em riste preparo-me para pagar e elas têm uma regressão brutal: mas aqui não é assim. Aqui somos um grupo internacional que não faz nada disso. Ora bolas! Se me dissessem que eram uma loja de bairro dava-vos mais depressa os dados!, exclamo já sem a mínima paciência. E uso trunfos mais valiosos: ameaço que vou comprar à loja do lado (que sei que me vai fazer a mesma coisa, mas elas não); que não têm consideração pelos clientes; que quero o livro de reclamações, que aquilo não é obrigatório, coisa nenhuma... E elas lá acabam por ceder e por criar uma ficha à toa e passarem-me manualmente o recibo. E lá ficamos outra vez “amigas”, às desculpas umas às outras, porque também me custa, digo-vos, sinceramente, falar assim com estas raparigas, que, coitadas, não percebem nada do assunto e que estão instruídas pelos responsáveis para procederem desta forma. Mas a verdade é uma só: saio da loja exausta e indisposta a pensar: fosse eu mais organizada e comprava com tempo na net! Era limpinho! Ao menos, não me chateava!

Domingo, Junho 14, 2009

A vingança serve-se fria

Maria Bethânia - Lágrima

Já dizia o ditado.

Ó cum caraças!...

Foto: roupa da Wenders

Vai chover outra vez! Acho que vou viver definitivamente para a Alemanha: tem um clíma mais ameno!

Sábado, Junho 13, 2009

A razão porque só poderia ser da direita:

Sexta-feira, Junho 12, 2009

Quadra pseudo - elitista

© Foto: ?

Ó meu rico Santo António,
Não tenho jeito nenhum p`ra pobre.
Transformai esta sardinha,
Numa suculenta e mui nobre,
Lagostita suadinha.

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Insatisfações

Na foto: Natasha Poly para Vogue Paris

Se fosse gato, teria agora a cauda, inquieta, a ondular de um lado para o outro.
Invade-me um desassossego desconcertante que me tolhe as acções: não sei se leia, se escreva, se veja um filme ou se durma.
Foi assim todo o dia, com a chuva, incansável, lá fora, a bater nas pedras da calçada para nos ludibriar da ideia de que se aproxima o Verão.
Apenas uma coisa eu sei: estou constantemente a comer.
À medida que envelhecemos – e ao contrário do que seria suposto – ficamos mais gulosos do que quando éramos garotos. Babamos pelo Sushi, pelo bacalhauzinho no forno, pelo pãozinho com chouriço caseiro, pela batatinha gratinada... Quando somos crianças, ao menos, fazemo-lo apenas pelos doces. Raios partam a idade!

Quarta-feira, Junho 10, 2009

© Foto: Francis Hills / Na foto: Dita Von Teese

Pacientemente, espero que ressuscites. Na minha vida, Meu Amor.

Terça-feira, Junho 09, 2009

Abandono

Abandonada anda a casa,
assim, como tu me abandonaste a mim.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Amores eternos

L'Amant

Como o nosso, Meu Amor. Meu amante.

Quarta-feira, Junho 03, 2009

Simão, o Sexista

© Foto: Sofia Bragança Buchholz

Personagens:
• Simão
• Eu

Cenário:
Passamos em frente ao Tribunal da Relação do Porto. Imponente, a enorme estátua em bronze que se ergue defronte do Palácio da Justiça, chama a atenção do Simão. Curioso, ele pergunta:

Acção:
– O que é aquilo?
– Aquilo é a estátua da Justiça. É uma obra magnífica feita por um escultor chamado Leopoldo de Almeida – explico, enquanto nos aproximamos para a observar melhor. – Vês a balança que tem na mão? Significa que a justiça deve pesar bem as provas apresentadas de forma a tomar correctamente as suas decisões. Do outro lado, tem uma espada, vês? Esta representa a sua capacidade de exercer o poder de decisão.
Ele fica a admirá-la, por um momento, em silêncio. Depois, arrogante, exclama, recomeçando a andar:
– É a Justiça, a República, a Liberdade… Tudo mulheres! Depois como é que querem que estas coisas funcionem bem?!

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Eterna por um dia [ou a Mulher sem Coração (IV)]

© Imagem: ?

É teu, o meu coração, Meu Amor,
Para que, com ele, sejas eterno.
Como um dia [um só] eu o fui. Para ti.

Em farta

Quando a Dor vier, Meu Amor...
............... Rápida;
.................... Forte;
Rebentar-te o peito
.......................... Num ataque fulminante,
Apanharei com carinho cada pedacinho dele espalhado pelo chão.
E, dedicada, juntarei as suas partes para que volte a bater.

Assim, tu, morto
....................... Estarás mais vivo do que eu.
Muito mais vivo
Do que alguma vez imaginaste na tua vida.

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Blogues, Facebook, Twitter, Messenger...

caramba, qualquer dia não tenho tempo para a minha vida "real"!

Isto anda abandonado, eu sei, e a culpa é…

do Facebook.

Quarta-feira, Maio 20, 2009

Eu hoje acordei assim...


E, ai, de quem me estrague o dia!

Política 2.0


É já amanhã. Podem acompanhar a sessão em livecast no 31 da Armada ou irem para lá blogar.

Terça-feira, Maio 19, 2009

Pequenas Invejas


Era assim, com esta graciosidade e alegria, que eu gostava de pendurar, sempre que a lavo, a minha roupa.

Domingo, Maio 17, 2009

Às vezes a vida pode ser uma estrada surreal

Dream of the Rarebit Fiend by Winsor McCay, 1913 [clique na imagem para ampliar]

Simão e Francisco os Metrossexuais???

Personagens:
• Simão
• Francisco
• Eu

Cenário:
Mais um serão a tomar conta dos meus sobrinhos.
Sentada na sala, leio tranquilamente um livro. Ao longe, vindo provavelmente do quarto dos brinquedos, oiço como ruído de fundo o habitual som das brincadeiras de dois miúdos que se adoram, mas que se tratam como cão e gato: gritarias, lutas, gargalhadas, esboços de choradeiras, enfim.
De repente, apercebo-me que a casa ficou silenciosa. Estranho. Chamo-os, mas nenhum me responde. Adivinhando prenúncio de asneira da grossa, levanto-me e galgo a escada num pulo. Do último andar reconheço, vindo da casa de banho, um som metálico, contínuo, que não identifico. Chamo-os novamente e, no mesmo instante, o ruído desaparece. Entro na casa de banho e vejo-os sentados, de rostos angélicos a olharem para mim. Desconfiada, pergunto:

Acção:
– O que estavam a fazer?
– Estávamos aqui a conversar – responde o mais pequeno, mestre na arte de endrominar.
– Que barulho era aquele? – Insisto.
– Barulho, que barulho? – Devolve-me a pergunta novamente o treteiro mais novo.
– Aquele que parecia uma máquina… – reparo que, estranhamente, têm as calças de pijama arregaçadas até aos joelhos e que o mais velho esconde alguma coisa atrás das costas. Imediatamente inquiro:
– O que tens na mão, aí atrás, Francisco?
Hesita, mas, acaba por confessar:
– Estávamos a experimentar a máquina de tirar pêlos da mãe – esclarece, ao mesmo tempo que estende a mão para ma mostrar.
Eu, atónita, olho para a máquina. Depois, olho para eles. Vejo nas suas caras a súplica pelo segredo. Volto a olhar para a máquina e… solto uma sonora gargalhada!
– Ó rapazes, isso não é uma máquina para tirar pêlos das pernas! Isso é um aparelho para tirar borboto às camisolas!

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Desejos

O Natal é quando um Homem quiser e, hoje, apetece-me [preciso] de ter asas.
Uma boa noite a todos!

Cantos de Fadas

(...)
I met a lady in the meads,
Full beautiful - a faery's child,
Her hair was long, her foot was light,
And her eyes were wild.

I made a garland for her head,
And bracelets too, and fragrant zone;
She looked at me as she did love,
And made sweet moan.

I set her on my pacing steed,
And nothing else saw all day long,
For sidelong would she bend, and sing
A faery's song.

She found me roots of relish sweet,
And honey wild, and manna-dew,
And sure in language strange she said -
'I love thee true'.

She took me to her elfin grot,
And there she wept and sighed full sore,
And there I shut her wild wild eyes
With kisses four.
(...)

La Belle Dame Sans Merci, 1819 - John Keats

Terça-feira, Maio 12, 2009

São Fadas, senhores, são Fadas!

© Foto: ? / Na foto: Miranda Kerr

A tia e o Dia da Mãe

Personagens:
• Simão
• Francisco
• Eu

Cenário:
Carregada de sacos de supermercado subo, estafada, a íngreme viela que me conduz a casa. Ao cimo, avisto os meus sobrinhos. O mais velho, ao reconhecer-me, corre para mim de braços abertos. Ao alcançar-me, abraça-me atabalhoadamente e deseja-me:

Acção:
– Feliz dia da mãe!
Eu agradeço, mas relembro:
– Eu não sou mãe. Eu não tenho filhos, Francisco.
E ele logo prontamente, capaz de me fazer derreter:
– És, és! És a minha segunda mãe!

E, pronto, é assim, com lamechices destas, que eles conseguem Playstations e Wiis.

Segunda-feira, Maio 11, 2009

A Razão por água-abaixo

Assim não pode ser! Lá se vai a razão por água-abaixo! É que começo a acreditar nos quizzes do Facebook. Fiz o teste “what mythical creature are you?" e o resultado foi, imaginem, FADA.

Percebes, agora, por que não me importo de ter asas?

© Foto: ? / Na foto: Adriana Lima

Para não deixar ficar mal os quizzes do Facebook, obviamente.

A explicação

Como sabem, faz tempo que não sei de Düss El Dwarf, o meu amigo gnomo.
Hoje apareceu-me, inesperadamente, à porta de casa com duas malas pequeninas, uma em cada mão. Ao ver a minha expressão de espanto ao abri-la, elucidou-me:
– Sei que precisas de mim. Sei que te andam, propositadamente, a fazer mal.
Depois, quando já no sofá da sala lhe explodi em pranto no colo, explicou-me:
– Sabes, nós, os homens, somos mesmo assim. Quando estamos apaixonados ou precisamos de vocês, mulheres, andamos à vossa volta como crianças sôfregas pela atenção da mãe. Já quando a vida nos corre bem, tornamo-nos adolescentes rebeldes, ávidos de liberdade e sede de descobrir o mundo, incapazes de controlar os actos e as palavras, mesmo sabendo que estes podem magoar. Às vezes, fazemo-lo até propositadamente: [pequenas] maldades para alimentarmos o ego; para nos sentirmos bem. É mais forte do que nós. Somos básicos. Somos animais!

Lições da planície*

Uma vez filho da puta; filho da puta para sempre.

* título roubado ao "Ouriquense"